domingo, 28 de junho de 2009

A importância dos amigos!

Durante a Viagem ao Monte Selvagem, foi possivel observar um clima de muita cumplicidade e amizade entre as crianças. Tirando as tipicas desavenças normais da idade, quem estivesse com atenção poderia não só ver a amizade existente como também a preocupação para com o próximo e a necessidade de ter alguém com quem partilhar as brincadeiras do dia á dia. Mas qual é a importância destas amizades? Porque é que elas são fundamentais para o desenvolvimento? Que importância têm os mais crescidos na forma como as crianças lidam umas com as outras? O seguinte artigo proveniente da Sapo Familia responde a estas e a muitas outras questões.

A Amizade na Primeira Infância

Desempenha um papel fundamental no desenvolvimento harmonioso da criança, contribuindo para um maior equilíbrio na idade adulta

A maioria de nós recorda com saudade as amizades do início de vida. Alguns têm a sorte de conservá-las até à vida adulta, enquanto outros nem sequer se lembram dos nomes, no entanto foi com essas pessoas que compartilhámos as nossas primeiras descobertas, descobrimos um significado mais abrangente para palavras como estima, camaradagem e entendimento.

Embora a criança até os quatro ou cinco anos de idade esteja a vivenciar um mundo muito centrado nela mesma, nas suas percepções e sensações sobre tudo, as experiências relacionadas com as amizades desempenham um papel fundamental para o desenvolvimento posterior, e as lembranças sobre amigos queridos, dias felizes e brincadeiras agradáveis serão fundamentais para um crescimento saudável.

Nos primeiros meses de vida a criança relaciona-se basicamente com a sua família mais íntima, tais como pais, irmãos, avós e tios. Ao ingressar nas creches e infantários dá-se início ao processo de socialização e começam a estabelecer-se laços afectivos fora do núcleo familiar.

É um momento de descoberta! Crianças pequenas, grandes, semelhantes, diferentes, gentis, hostis, alegres, tristes. Quantas personalidades! Primeiro, é o momento de observar, o que pode levar minutos ou dias. Depois inicia-se a interacção com aproximações mais arrojadas, ou mais tímidas…

A importância do modelo familiar

Nesta etapa é muito importante o modelo que se faz a partir dos pais, dos seus amigos e da relação que têm com eles. Crianças que convivem com pessoas diferentes no seu ambiente e cuja família valoriza os amigos, apresentam maior facilidade em estabelecer laços de amizade.

Acredita-se que a amizade estimula o psiquismo, produzindo benefícios tanto para a saúde física como para a saúde mental, pois são activadas áreas do cérebro e libertadas hormonas que favorecem a alegria e o bem-estar.

Em especial nos primeiros anos de vida, a experiência da amizade ajuda-nos a crescer e amadurecer, colaborando na formação da nossa personalidade e no estabelecimento das relações com os que nos rodeiam. Pesquisas nesta área demonstram que a colaboração, o intercâmbio e o reconhecimento do outro diminuem a agressividade, a desconfiança ou a própria tensão.

A alegria compartilhada e o apoio emocional vivenciado activam o sistema imunológico e, por conseqüência, a homeóstase, que é a tendência à estabilidade do meio interno do organismo. A amizade na primeira infância desempenha um papel fundamental, pois são esses laços de afecto que nos sustentam a vida inteira. A infância é um momento onde, através das brincadeiras, aprendemos o que significa o conforto nos momentos tristes, o dividir as nossas alegrias, o sentido de cooperação, a lealdade e a solidariedade.

Da infância, à idade adulta… a mesma resposta emocional

Ao relacionar-se com os outros, a criança descobre que algumas regras devem ser obedecidas e, assim, começa a consciencializar-se de muitos aspectos sobre a convivência em grupo, tais como a percepção de estar junto com o outro, o respeito, os limites, a frustração, a necessidade de se expressar melhor, o compartilhar.

Começa então a adquirir um conhecimento melhor de si mesma e do Mundo, na medida em que também vai amadurecendo. Observa-se, nas amizades na infância, dois lados opostos nos relacionamentos: um positivo, que se refere à cooperação e apoio social, e um negativo, que evidencia os conflitos e a agressividade. Também se pode observar a competitividade, a qual parece ser maior entre amigos do que em actividades com estranhos.

E igualmente se acredita existir uma atração entre as crianças agressivas, de onde resulta que os conflitos entre elas também sejam grandes. A tendência é a constante tentativa de dominação por parte dos agressivos, que leva ao afastamento das crianças mais dóceis e de fácil cooperação, que não compreendem esse tipo de comportamento.

Os mais tímidos e menos reactivos, são muitas vezes subjugados pelos mais agressivos. Tais reacções comportamentais são os primeiros indícios de como será a resposta emocional dessas crianças quando forem adultas. Portanto, é importantíssimo que saibamos orientá-los, nesta fase, para a melhor atitude…

Aceitar as crianças especiais

Os amigos são uma importante fonte de apoio emocional. A amizade interfere diretamente na qualidade de vida da criança, inclusive daquelas com necessidades especiais. A presença de deficiência física e/ou mental dificulta o estabelecimento e a manutenção das amizades devido às diversas limitações existentes.

Embora muitas crianças tenham atitudes favoráveis em relação àquelas com deficiências, elas rapidamente percebem as dificuldades que existem na manutenção da relação e às vezes acabam por afastar-se, por não sentirem/perceberem a contrapartida.

Cabe aos pais e educadores esclarecer que nem todos reagem da mesma maneira, e que determinados gestos são o melhor que uma pessoa pode dar. Conscientes disso, as crianças não colocam barreiras aos relacionamentos.

Vale a pena citar o psicanalista Jorge Forbes: "A amizade de infância não é qualquer uma, tem um diferencial ligado ao facto de ter sido estabelecida numa época anterior aos julgamentos e preferências da idade adulta, quando todos sofrem interferência dos interesses sociais".

De facto, uma amizade de infância é uma lembrança boa que nos irá acompanhar pelo resto de nossas vidas e trazer um sorriso aos lábios sempre que nos recordarmos dela. Estimule a sua criança, para que também ela possa ter essa vivência feliz.

Como ajudar a criança a fazer amizades

Como detectar se ela tem problemas em estabelecer amizades:

1. Verifique junto aos educadores como é que sua criança se comporta na sala de aula e nas horas de intervalo, onde há a possibilidade para participar em brincadeiras e cultivar amigos. Pergunte se ela se relaciona com os demais, ou se é tímida.

2. Observe o que acontece quando você sai com o seu filho. Numa ida ao parque, ele aproxima-se de outras crianças? Como é que ele se relaciona com as crianças da família? Como reage quando recebem visitas?

O que fazer para ajudara criança a libertar-se da timidez?

1. Em primeiro lugar, lembre-se de que cada um de nós tem uma forma de expressar a sua personalidade, e nem sempre pais extrovertidos terão filhos iguais - e vice-versa. Não exija que o seu filho tenha de ser igual a si… Respeite-o pela forma como ele é.

2. Outros lugares onde o seu filho pode formar amigos são as aulas de desporto, canto, dança ou idiomas. Inscreva-o numa dessas actividades, mas verifique primeiro se isso lhe dá prazer e se existem outras crianças da idade dele.

3. Convide amiguinhos para um lanche ou almoço. Mais uns anos e os amiguinhos podem passar um dia, uma noite, na sua casa. E também vai chegar o momento do seu filho ir dormir na casa do colega...

4. Leve-o às festas dos amiguinhos. É importante, para que o vínculo da amizade ultrapasse a escola.

5. Nas férias, dê preferência a lugares onde existam actividades em grupo para crianças. Um ambiente novo pode ser um bom estímulo aos relacionamentos.

1 comentários:

Bruna disse...

A amizade é fundamental em qualquer idade ^.^ boa postagem :p