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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Estilos Educativos

Estilos educativos – sabe qual é o seu ?


Cada família tem o seu estilo educacional. Sendo que uns são (potencialmente) mais adaptados que outros A arte de educar é um processo em que os pais vão evoluindo a par do desenvolvimento dos seus filhos. É, então, fundamental que os pais reflictam e procurem dar sempre o melhor de si, respeitando a individualidade da criança e promovendo actividades em que esta possa desenvolver competências sociais e emocionais, já que estas são as chaves para um maior bem-estar.

Com o objectivo de melhor compreender os estilos de educação adoptados pelos pais e as suas consequências, na década de 70, a psicóloga Diana Baumrind enunciou três tipos principais – autoritário, permissivo, democrático.



Estilos educativos

Estilo Autoritário - há uma tentativa de controlar e modelar, de forma rígida, as atitudes da criança. Estes pais valorizam a obediência absoluta, recorrendo a medidas punitivas (verbais ou físicas) para que os mais pequenos se comportem de acordo com a sua exigência. São frequentes as críticas ou ameaças à criança, sendo muito escassas as manifestações de afecto.

Estilo Permissivo - os pais funcionam como meios de satisfação dos desejos das crianças, e não como modelos. Neste estilo existe uma quase ausência de normas e a obediência não é encorajada. Há geralmente calor afectivo e comunicação positiva, sem exigências de maturidade.

Estilo democrático - há o estabelecimento de normas e limites, envoltos num clima de calor afectivo. A comunicação é positiva e optimista. Os pais que usam este estilo educacional adequam as suas atitudes às necessidades da criança, quer no que toca à sua idade, quer aos seus desejos, fazendo exigências de maturidade concordantes com as capacidades e interesses da criança.


Qual o estilo mais eficaz ?

Os estudos têm mostrado que pais que adoptam um estilo parental democrático têm filhos com maior sucesso escolar e social. De facto, se é importante que os filhos tenham boas notas, o amor parental não é condicionado por esse facto.

É de extrema importância que as regras sejam temperadas com afecto. Para além disso, os pais democráticos quando dizem 'não' ou quando os filhos cometem erros, perdem tempo a explicar-lhes o porquê do comportamento estar errado, reflectindo também em conjunto sobre formas de evitar futuros comportamentos desadequados.

O sucesso nas funções parentais é diariamente construído e, não obstante a investigação poder fornecer várias noções que potenciam uma educação mais eficaz, não há a linearidade que tão frequentemente pais e educadores procuram.

De facto, o desenvolvimento social e afectivo de uma criança é condicionado fortemente pela educação parental, mas também por outras variáveis, como o meio escolar, os amigos, as famílias alargadas, ou mesmo a sociedade em que se encontra. Deste modo, poderemos encontrar excepções em que filhos de pais com um estilo democrático poderão ter piores resultados escolares e sociais, ou o inverso poderá ocorrer com filhos de pais com um estilo negligente de educação.


A influência dos amigos nos comportamentos disruptivos

Quando a criança ingressa no Jardim-de-infância ou na Pré-escola, os seus modelos passarão a ser os educadores e os seus colegas ou amigos. A criança vai aprendendo e adquirindo comportamentos através da sociabilização, isto é, através da observação que faz dos comportamentos dos diversos elementos constituintes da sociedade. Inicialmente, a criança começa por observar e imitar os comportamentos dos seus pais, sendo estes os seus primeiros modelos. Posteriormente, sobretudo quando a criança ingressa no Jardim-de-infância ou na Pré-escola, os seus modelos passarão a ser os educadores e os seus colegas ou amigos. Neste sentido, a criança poderá adoptar, tanto comportamentos assertivos, como comportamentos disruptivos, dependendo dos comportamentos observados nos seus modelos.

Modelagem: imitação dos comportamentos observadosAs primeiras relações comportamentais que ocorrem na vida de uma criança estabelecem-se primeiramente com os seus pais. Os primeiros comportamentos que ela adopta por imitação são aqueles que ela observa nos seus pais, sendo estes os seus agentes modeladores. Mas a educação familiar não é a única influência no seu desenvolvimento. As crianças vão recebendo influências de outros indivíduos mediante o processo de sociabilização, devido à sua interacção com outras pessoas. Com a frequência do Jardim-de-infância ou da Pré-escola a criança irá adquirir novos comportamentos ao observar e imitar os educadores e os seus colegas e amigos, passando estes a ser os seus modelos. O processo de observação e posterior imitação dos modelos é denominado por modelagem. Tudo aquilo que a criança vê, ouve e sente fica armazenado na sua memória e irá influenciar o seu modo de viver. É desta forma que a criança vai modelando e formando o seu processo de desenvolvimento da personalidade.


Comportamentos disruptivos


Os comportamentos disruptivos são considerados como uma transgressão das normas escolares, prejudicando as condições de aprendizagem, tanto da própria criança, como das outras crianças de sala, o ambiente de ensino e as relações interpessoais, quer entre pares, quer perante as figuras de autoridade. Assim sendo, estes comportamentos incluem a indisciplina e o desvio às regras do trabalho escolar. Os comportamentos disruptivos são uma questão com a qual educadores e professores se têm vindo a deparar constantemente. Estes comportamentos podem ocorrer quando as crianças se sentem frustradas, quando têm dificuldade em lidar com a autoridade, quando têm dificuldade em cumprir regras ou quando procuram a atenção do adulto ou dos colegas ou amigos.


Influência dos pares


O período pré-escolar é fundamental em termos de desenvolvimento. Entre os três e os seis anos de idade, sensivelmente, a criança está mais desperta e predisposta para aprender e adoptar com mais facilidade e rapidez o comportamento observado nas relações entre os pares. Desta forma, os pares têm uma influência fulcral sobre os comportamentos da criança.Tem-se verificado um crescente reconhecimento da importância da interacção com os pares no processo de desenvolvimento da criança. Esta interacção é imprescindível para a socialização durante infância, conduzindo a uma aprendizagem de papéis, a um desenvolvimento cognitivo e moral, ao domínio de impulsos agressivos e à aquisição de competências sociais. Se por um lado determinados comportamentos que a criança vai observando no seu dia-a-dia têm uma influência benéfica para o seu desenvolvimento, há outros que poderão ter uma influência nociva. A criança ao observar um comportamento inapropriado, poderá adoptar posteriormente esse mesmo comportamento e, consequentemente, tornar-se numa criança com comportamentos disruptivos constantes. Vários estudos demonstram, por exemplo, que as crianças se tornam mais agressivas quando observam modelos violentos ou agressivos.É natural uma criança imitar um comportamento inadaptado de um amigo seu, sobretudo quando este é um líder, isto é, alguém que todas as crianças veneram, seguem e imitam. Perante um comportamento deste género, algumas crianças acham graça e, como tal, tenderão a imitar esse comportamento com a esperança de que a reacção dos colegas seja a mesma verificada com os seus pares e que possam, também, serem vistos como líderes.


Desafiar a autoridade


Mesmo quando determinadas crianças são repreendidas por terem comportamentos disruptivos e têm consciência que estão a desrespeitar as regras, continuam a adoptar esses comportamentos, pois enaltece-as o facto de enfrentarem o agente de autoridade. Este desafio, para algumas crianças, pode ser visto como grandioso e, como tal, uma atitude a seguir.Muitas crianças, para fazerem parte de um grupo, para serem aceites por este, tendem a imitar os seus comportamentos e atitudes disruptivos, uma vez que sabem que se não o fizerem, jamais se poderão juntar a esse grupo. Muitos fazem-no para serem bem vistos pelos seus pares, outros acabam mesmo por ser persuadidos ou obrigados. Nestes casos, os pares fazem com que as outras crianças imitem todos os seus comportamentos, fazendo-lhes crer que assim serão bem tratados e respeitados pelo grupo, podendo vir a ser parte integrante do mesmo. Verifica-se então, que a criança já não age por livre e espontânea vontade, como o referido anteriormente, mas sim porque é obrigada. Pode-se afirmar que qualquer criança está fortemente sujeita à influência do grupo de pares a que pertence e à turma onde está inserida. Contudo, essa influência dependerá da personalidade de cada criança, sendo mais fácil persuadir crianças como uma personalidade menos vincada, que aceitam facilmente aquilo que os outros dizem ou fazem, que têm pouca vontade própria e crianças cujas famílias são desestruturadas e estão desajustadas às suas necessidades. É necessário todos os agentes educativos, nomeadamente os pais, estarem atentos a este tipo de comportamentos e tomarem medidas pois, futuramente, poderemos vir a ter adolescentes e adultos agressivos, rebeldes, sem regras e sem respeito pelos outros.

Medidas a adoptar face à imitação de comportamentos disruptivos:




  • Estabelecer regras claras juntamente com a criança. Será mais fácil ela as cumprir se participar na elaboração das mesmas;



  • Estabelecer rotinas para que a criança se mantenha ocupada durante mais tempo;



  • Estimular a criança a fazer determinadas escolhas e valorizar essas escolhas;



  • Demonstrar que a criança é boa em diversas actividades;



  • Reforçar e elogiar sempre os comportamentos assertivos;


  • Falar com a criança e fazê-la ver que os comportamentos que está a adoptar não são correctos. A comunicação entre os agentes educativos e a criança é fundamental;


  • Imediatamente após um comportamento disruptivo, peça à criança que pense durante algum tempo sobre o que acabou de fazer e seguidamente que verbalize os seus pensamentos;



  • Não atribuir castigos exageradamente. A criança irá perceber que por qualquer coisa que faça será sempre castigada, como tal, já nem se importará de ser castigada.



  • Jamais isolar a criança ou proibir que ela se dê com determinadas crianças;



  • Quando os pais não conseguem lidar com estas situações, ou quando já esgotaram todos os seus recursos, a atitude a tomar será consultar um Psicólogo.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Temperamento e Personalidade


Excelente Artigo publicado pela revista Pais e Filhos.

Quem são os nossos filhos? Ou, dizendo de uma forma mais coloquial, «que bicho é este»?

À medida que o tempo passa e os filhos crescem mudam muito, sobretudo depois dos 9-15 meses de vida. Não ficam melhores nem piores: apenas diferentes. Ou se calhar nem isso: vincam é mais os traços da sua personalidade, do seu temperamento, afirmam a sua identidade, e muito na dimensão do que o ambiente externo (leia-se: pais, família e educadores) permitem. Se, para alguns pais, este facto é inquietante, é bom ter presente que «mais do mesmo» faria da parentalidade uma coisa sem ponta de graça.

Quem são os nossos filhos? Já os conhecem desde antes do nascimento, mesmo que com fases mais esclarecedoras, outras menos. Contudo, talvez valha a pena relembrar algumas coisas sobre eles, e escrever um pouco sobre as bases em que se estruturam. Não temos memórias presentes da maior parte deste período da nossa vida e, contudo, há unanimidade entre os cientistas e profissionais sobre o facto de ser o período mais marcante dela, em termos de estruturação. É uma fase em que se estabelecem os princípios e valores, o sentimento social e a segurança afectiva. É um período em que os neurónios se organizam como nunca mais na nossa vida, e em que o cérebro fisicamente se desenvolve consoante o ambiente, o afecto, as regras e o contexto familiar e social. Parece estranho que não nos lembremos desses primeiros anos – a maior parte das pessoas consegue ir buscar uma ou outra memória de acontecimentos passados cerca dos 4 anos, mas mesmo assim episódicos –, quando eles são tão importantes para nós e explicam personalidades e comportamentos que revelamos no dia-a-dia, tantas vezes sem darmos por isso e tantas vezes, também, pouco compreensíveis ou justificáveis pelos outros. Mas, na realidade, quando vemos uma casa não pensamos nas fundações. Quando vemos um palco de um teatro não pensamos na dimensão dos bastidores. Quando assistimos a um espectáculo ou a um programa de televisão que consideramos perfeito não temos noção das horas e trabalho gastos para que tudo corresse tão bem. Aqui aplica-se a frase de Saint -Exupéry, de que o essencial é invisível aos olhos.

Não quer isto dizer que tudo esteja feito e terminado aos cinco anos. Não. Após a estrutura montada, há que rechear, adornar, preencher. Desenvolver e capacitar. Mas quaisquer livros, por melhor e mais bonitos que sejam, não farão uma boa biblioteca se as estantes forem tortas, frágeis ou incongruentes, se a luz for tosca e o pó cobrir tudo.

Quem é a criança que têm perante vós? Vale a pena rever algumas coisas, mesmo para aqueles pais de crianças que já passaram algumas destas idades. Poderão porventura percebê-la melhor e descobrir porque é que os seus comportamentos têm sido o que são.


TEMPERAMENTO


Tantas vezes ouço, nas consultas, as queixas dos pais e dos familiares: «Será hiperactivo?, Está sempre na Lua. Faz muito barulho a brincar. Chora à mínima coisa. Não pára quieto! Nunca dá beijinhos à avó! E tantas outras coisas mais, como se a criança tivesse cometido um crime ou tivesse um comportamento altamente desviante ou sociopata.

Com menos de seis anos, as crianças não têm ainda uma noção clara dos seguintes parâmetros: massa, área, volume líquido, peso e volume sólido. E sabem a que idade eles adquirirão, em média, estas noções? 7-8 anos para as três primeiras. 9-10 anos para a quarta e 11-12 para a última. Incrível, não é? E isto relativamente ao mundo físico, que é definido e que exploram todos os dias. Que dizer do mundo relacional, bastante mais elástico e imprevisível, do mundo emocional e do mundo psicológico? É por isso que somos sempre meninos em fase de aprender. Todos os dias nos podemos surpreender a nós próprios com descobertas de sentimentos e factos, mas aos 1, 2, 3, 4 ou 5 anos, ainda são muito, mas mesmo muito, pequeninos, e o entendimento deles do mundo, pessoas e coisas não é o mesmo do dos adultos.

É necessário compreendermos quem são os nossos filhos e como se comportam face ao mundo, às pessoas e relativamente aos seus próprios sentimentos. É errado pensar que os podemos mudar ou que têm de ser como nós desejávamos, muitas vezes até ao sabor dos momentos e com expectativas incoerentes: o mesmo menino que estimulamos a correr, quando dá jeito mostrar aos amigos a sua desenvoltura, é o que é admoestado se está a brincar de um modo mais agitado. Poderemos influenciar os comportamentos, de forma até decisiva, mas mudar a pessoa é tarefa inglória e inútil. E também indesejável.

Quem tem de adaptar a sua estratégia são os pais, primeiro, para que possam entender os filhos e dar-lhes as guias necessárias para adequar atitudes e comportamentos às necessidades numa perspectiva do que será melhor para eles e também para os outros elementos da sociedade.

A comparação com familiares ou amigos, por exemplo, é comum mas contraproducente. «O teu primo não fazia nada disto. O João da tua aula nunca faz birras quando vai ao restaurante!» Só serve para olhar os outros com desconfiança e pensar que estão do lado do adversário. Mas afinal o que é o temperamento? É um conjunto de características inatas que servem para as pessoas se organizarem face ao mundo exterior e interior. É, pois, um instrumento fundamental na vida relacional, com os outros e connosco próprios, e não muda ao longo da vida, podendo contudo desenvolver-se e exercitarem-se alternativas comportamentais, graças à enorme capacidade de reflexão e autodomínio que o ser humano tem.

MATRIZ GENÉTICA

É velha a frase «parece que já nascem ensinados». E não é mentira, porque será uma ilusão pensar que uma criança nasce sem nada na cabeça. Desde cedo, as crianças começam a evidenciar comportamentos e características da personalidade que não foram ensinados nem tiveram ocasião de presenciar, mas é sobretudo depois do ano de vida que, gradualmente, a exibição dos traços da personalidade e do temperamento se vai fazendo. O tigre desperta e tanto pode sair um gato mansarrão como uma fera que ruge e assusta.

O mundo mudou – a frase é um lugar comum. Tem sempre mudado, acrescentarei, mesmo que a evolução da tecnologia e da comunicação tenha acelerado a mudança, criando ritmos rápidos que ultrapassam em muito os limites físicos. Contudo, genética e biologicamente continuamos a ser animais, da classe dos mamíferos, e muito pouco diferentes do que éramos há milhões de anos. Continuamos a partilhar mais de 97 por cento dos genes com os chimpanzés, e 75 por cento com a nojenta mosca-do-vinagre. Não fosse o cérebro que temos e já estaríamos provavelmente extintos, dado que o nosso corpo não é suficientemente forte para enfrentar as condições adversas da natureza ou os outros animais.

O cérebro deu-nos a adaptabilidade e a capacidade de desenvolver estratégias para nos defendermos do perigo e de produzir sociedade, ao contrário dos outros animais.

Conscientes da nossa vulnerabilidade individual não podemos descurar uma coisa sagrada: a segurança. Não apenas física mas também da aprendizagem relacional com os adultos, o mundo e os objectos – é por isso que as crianças experimentam as coisas, com os seus cinco sentidos, correndo risco de sofrer um acidente, mas vão aprendendo com o tempo a defender-se. Um bebé de ano e meio, dois anos, levará à boca mais facilmente comprimidos que encontra na mesa-de-cabeceira dos pais do que uma criança de quatro ou cinco anos. Ou cairá de uma cadeira mais vezes. Também precisamos de segurança psicológica e emocional. Ninguém vive sem afecto, sem se sentir amado e desejado. Não é por acaso que querido vem do verbo querer, e a sensação de se ser útil é pão para a alma. Mesmo que, em grupo, nos sintamos mais fortes – é por isso que o nosso filho de três anos, aparentemente tímido, quando está com os primos parece que se solta e pula por todos os lados – individualmente temos receios e sentido da fragilidade da condição humana.

A necessidade de se sentir parte do todo e profundamente amado determina, neste grupo etário, grande parte dos comportamentos – o medo do abandono é o grande papão de qualquer criança, sobretudo a partir do ano e meio. Por outro lado, as crianças sentem-se motivadas para aprender e desejam que o seu esforço e as suas realizações as identifiquem, gostando por essa razão que as elogiem e recompensem. As lembrem e recordem. Como muitas vezes as condições do dia-a-dia não ajudam a que se tenha tempo, disponibilidade e até paciência, há que, por via das dúvidas, accionar o dispositivo genético de defesa, e mesmo com todas as incertezas e ansiedades sabem que mais vale mandar do que ser mandado, mais vale desconfiar do que dar de barato. E a memória de tantas gerações que desenvolveram outras tantas estratégias vencedoras está em cada gene dos vossos filhos.


SANTA INGENUIDADE


Não deixa de ser engraçado ouvir jovens pais ou menos jovens avós questionarem-se acerca destes nicos de gente: «Ele é tão pequenino para ter manhas!» As manhas são, afinal, o corolário da arte básica da sobrevivência, nas suas diversas nuances: persuasão, manipulação, sedução, imposição, exigência, solicitação. Maneiras dife-rentes de atingir os mesmos objectivos: mandar, ter poder, servir-se dos outros para os nossos desígnios e vontades, numa palavra, sobreviver… seja fisica-mente, seja afectiva, psicológica ou socialmente.

Na maioria das crianças, a personalidade faz-se segundo uma escada de patamares. A criança absorve a informação, processa-a, analisa-a, decide o que altera no seu estado anterior e dá então um passo para o degrau acima, onde receberá mais informação e o processo se repete. Há assim períodos críticos, que teremos de descobrir em cada criança – uns para dar informação, outros para deixar repousar e processar essa informação. É nesses períodos críticos que aparecem sentimentos e comportamentos contraditórios: a necessidade de expansão, de ampliação das capacidades e dos conhecimentos, que tanto estimula e puxa pela criança, também causa angústia e ansiedade.


COMO DOMINAR ALGUÉM?


Há meios coercivos e meios persuasivos de o fazer. E as crianças experimentam ora uns ora outros, tentando entender qual das vias é mais eficiente. A mais fácil é a negativa, porque exige menos energia e sentido estratégico, e é mais imediata. Quero, posso e mando. Birras e pressão. Choro e vitimização. Tirania e terrorismo emocional. A via positiva aparece mais tarde, não apenas porque a negativa não deu (espera-se!) frutos, mas porque a capacidade de teatralização e de manipulação só aparece quando o pensamento evolui, embora mesmo os bebés pequenos já evidenciem manobras deste tipo, baseadas na sedução e no charme. Qual dos leitores consegue resistir a um sorriso, uma carinha, um «ó, pai querido»? Acho que nenhum e francamente, quase que desejo que nenhum... pelo menos se o objectivo da manipulação não for algo de inaceitável. Como há que ensinar as crianças a optarem por caminhos positivos, rejeitando os outros, não se podem reprimir todos estes caminhos. Estudemos pois os nossos filhos desde que nascem e em vez de os tentar refazer e mudar, talvez o desafio seja muito mais aliciante se pensarmos em como, sendo quem são e com a nossa ajuda, poderão ser felizes e fazer os outros felizes.



nem bom nem mau

O temperamento (e a personalidade) não são bons ou maus. Apenas são. E o resultado em termos de adequação e ética sê-lo-á conforme o caminho que seguir e a intensidade que tiver. Ser tímido à partida, pode transformar-se numa qualidade ou num defeito: se a timidez for tanta que inibe ou paralisa, prejudicando a criança, ou se se converter em prudência, que muito a ajudará a analisar as situações e as pessoas, sem a manietar. O mesmo se dirá da ousadia.


Dez traços comportamentais

Pode resumir-se o temperamento a uma composição de dez itens, sendo que estes parâmetros são observados desde o primeiro dia de vida. É face a eles que temos de pensar os nossos filhos:

* nível de actividade – há crianças mais ou menos agitadas, que preferem actividades mais cinéticas ou mais quietas. Este traço pode explicar a apetência e escolha de profissões, desportos, actividades artísticas, etc.
* distractibilidade – grau de concentração e de atenção à actividade que está a desempenhar, bem como a influência dos estímulos externos sobre a reflexão, o comportamento e as actividades. Pode ser bom, se for para distrair a criança de qualquer coisa que quer, mas pode ser mau se se tratar de fazer os trabalhos de casa.
* intensidade – refere-se ao grau de energia que a criança põe nas suas respostas. Mais dramatismo ou menos. Mais veemência ou menos. Mais perturbação ou menos. Grita ou fica calada. Esperneia ou permanece quieta quando contrariada. Uma criança intensa vive a vida com mais paixões, mas porventura com mais desilusões. Uma criança menos intensa poupa -se a grandes trambolhões, mas se calhar é capaz de não ter momentos exaltantes;
* regularidade – em aspectos como o apetite, o sono, as horas de fazer cocó, cansaço, etc. A não compreensão do grau de elasticidade da criança aos horários e suas variações pode causar situações de birra ou desajustamento;
* limiar sensorial – tem a ver com a reacção da criança aos estímulos (sons, paladares, cheiros, mudanças de temperatura, toque, luzes). Há crianças a quem a luz do sol incomoda, ou que se excitam ou têm medo perante determinados sons, que entram numa sala e dão pelo cheiro a canos ou a comida, etc. Existe provavelmente uma relação com a criatividade e o sentido artístico;
* timidez/ousadia – perante estranhos ou novas situações, ou desafios como crescer nas diversas áreas do desenvolvimento;

* adaptabilidade – que se relaciona com a capacidade de se adaptar a mudanças (de casa, escola, familiares, estação do ano, dias de chuva ou de sol, viagens, ou até mudança de actividade). Uma criança com baixa adaptabilidade pode sofrer se as outras, por exemplo no jardim de infância, a obrigam a entrar em cenas para a qual ainda não está preparada;

* persistência – tempo que a criança continua a dedicar a uma determinada actividade quando surgem dificuldades ou obstáculos. Desiste? Persiste? E quanto tempo aguenta à espera, depois de pedir um copo de água e da mãe dizer que «já vai»? A persistência exagerada pode degenerar em teimosia. A falta dela pode originar um desistente;

* humor – tendência para reagir de forma mais pessimista ou optimista (podem experimentar, pedindo a opinião do vosso filho para saber se um copo está meio cheio ou meio vazio), sentido da graça e do riso ou, pelo contrário, difícil de obter um sorriso e sempre sorumbático;

* reactividade – perante uma dada situação, de contrariedade ou agradável, manifesta-se primeiro e pensa depois, ou analisa primeiro e reage depois?



Actividades para as férias de Natal.

Como vai ocupar o tempo livro com os seus filhos?

sábado, 6 de novembro de 2010

O Mimo

Será que tem mimo a mais?

Importa que as crianças aprendam a gerir as frustrações, para que não estejam sempre a fazer birras e a amuar

Todos sabemos como é típico as crianças amuarem e fazerem birras. Perante essa situação, os pais começam a questionar-se se lhes deram demasiado mimo. Realmente existe uma imediata associação entre o mimo e os comportamentos impertinentes, provavelmente porque ouvimos frequentemente sentenciar que “o mimo a mais estraga”.

No entanto, não é propriamente ao mimo que se pode apontar o dedo, como sendo o causador de uma baixa resistência à frustração das crianças. O que está na base de um baixo limiar de frustração é inconsistência na definição de limites, tão essenciais para o seu saudável desenvolvimento.

Não, não e não!!!

Nenhuma criança aceita de bom grado ser contrariada. No entanto, existe uma interessante dualidade que importa sublinharmos. Se, por um lado, existe a birra, a frustração, o amuo, por outro lado a criança, ao testar os limites dos pais, está a transmitir precisamente a necessidade de disciplina.

A explicação das regras, de uma forma adequada à idade da criança, é algo fundamental. Para além disso, face ao comportamento desadequado, não só se deverá explicar o porquê da repreensão como depois canalizar a atenção da criança para outra actividade.

Por exemplo, se estiver a escrever nas paredes, há que explicar-lhe que isso não se faz, mas que se está com vontade de desenhar pode sempre faze-lo em locais adequados, dando-lhe acesso a folhas de papel. Disciplinar é, acima de tudo, ensinar!

Outra das questões recorrentes tem a ver com a idade com que se deve começar a disciplinar. Cada vez mais se defende que a disciplina se inicia no berço, ou seja, desde tenra idade. É absolutamente necessário que o bebé aprenda a esperar um pouco, ou seja, que as suas necessidades não sejam imediatamente satisfeitas. Só assim conseguirá gerar defesas para as frustrações.

Serei demasiado ríspido ?

Mais uma dúvida que inquieta os pais. Perante determinadas situações, como saberem se não estarão a ser demasiadamente brandos ou rígidos com a criança ?

Importa ter presente que a disciplina deverá ser constante, ou seja, se perante o mesmo tipo de situação um dia a criança é castigada e no outro dia é ignorada, haverá a tendência para repetir o comportamento até perceber se é adequado ou não. Para além disso, existem sinais que as crianças nos dão relativamente à intensidade e natureza da disciplina que está a receber, permitindo-nos ajustar as nossas orientações.

Ser demasiado ríspido (autoritário) é tão negativo como ser permissivo. Pais autoritários tendem a transformar as crianças em seres frágeis, indefesos e com medo de enfrentar o mundo. Essa rigidez transforma-se frequentemente numa superprotecção que vai “acorrentando” a criança, a demasiadas restrições.

Por outro lado, encontramos pais cujo modo de educar se situa no pólo diametralmente oposto a este. Não sabem dizer “não!”, provavelmente porque vivem com o receio de que os filhos deixem de gostar deles, ou então porque não desejam conotar negativamente o curto espaço de tempo que têm com os filhos durante a semana, por exemplo.

Terá atenção suficiente ?

As crianças são muito expressivas, pelo que se nos mantivermos atentos, poderemos perceber alguns sinais e sintomas que demonstrem falta de atenção ou então demasiada rigidez na disciplina:

- Apatia, pouca expressividade de emoções;

- Não existirem momentos em que a criança desafia a autoridade;

- Acentuada sensibilidade a criticas (ainda que brandas), fazendo com que imediatamente irrompa em choro;

- Regressão no desenvolvimento (sono, alimentação, controlo dos esfíncteres);

- Tensão, nervosismo, irritabilidade fácil;

- Comportamento demasiadamente dócil, criança muito sossegada e que raramente expressa sentimentos negativos;

A disciplina deve ser adaptada a cada criança


Enquanto que para algumas basta ter uma curta conversa, mostrando-lhe claramente o que fez de mal para que modifiquem o comportamento, para outras é necessário repetir constantemente as regras. Para além disso, quando se fala em castigos, tem que se levar em conta o temperamento da criança.

Por exemplo, uma criança mais sensível poderá ressentir-se mais quando é mandada para o quarto sozinha do que uma criança mais activa e irrequieta. Há que evitar a todo o custo o castigo físico. Não se pretende que os mais pequenos aprendam que é pela força e agressão física que as contrariedades da vida se resolvem.

Quando isso acontece, é muito frequente que apliquem o modelo noutros contextos, transformando-se em crianças agressivas e desagradáveis.

Fonte: http://familia.sapo.pt/familia/comportamento/1100857-5.html

Como um filho muda a vida?

Tenho uma amiga na turma prestes a ser mamã pela primeira vez. Pois bem, ser pai e mãe pela primeira vez é uma mudança de 360 graus na vida de qualquer um. Aqui vai este video, especialmente para a minha colega, mas tambem para que todos os papás e mamãs das minhas tartarugas pense agora: Na altura, o que mudou afinal?


sábado, 9 de outubro de 2010

Alimentação no Pré Escolar

Na próxima semana vou começar a trabalhar o dia da alimentação com o educador e as crianças da minha sala. Nada melhor que lembrar as prioridades deste tema tão importante no Pré Escolar.

Alimentação pré-escolar

A alimentação infantil tem-se tornado uma preocupação de todos. É no pré-escolar que a grande maioria das crianças tem um primeiro contacto com a alimentação fora do seio familiar. Não só os pais se preocupam com a qualidade das refeições que aqui são disponibilizadas, como também educadores e auxiliares da acção educativa tencionam transmitir hábitos e práticas para uma vida saudável.
No seguimento desta problemática, surge o “Manual para alimentação saudável em jardins de infância” dirigido aos educadores de infância e todos os envolvidos directamente na preparação e fornecimento de alimentação às crianças. Aqui encontramos informação sobre a importância da educação alimentar e seus objectivos, alimentação saudável e nutrição, diferentes grupos de alimentos, necessidades nutricionais da criança em idade pré-escolar, distribuição das refeições, bem como regras de higiene na preparação dos alimentos.

Consultar o Manual: http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i005536.pdf

BEN10 LIVE - “A NOVA AVENTURA ALIENS”


O ESPECTÁCULO DO DESENHO ANIMADO COM MAIOR AUDIÊNCIA EM PORTUGAL

BEN 10 - Estreia mundial da tournée europeia chega finalmente aos palcos com um emocionante espectáculo inspirado no desenho animado Ben 10, personagem de culto e herói que provocou entre os jovens de todo o mundo a Ben 10 mania!

O fenómeno começou com a série de desenho animado, nos Estados Unidos, em 2005 e em Dezembro de 2009 estreou em Portugal no canal SIC K e está no ar desde então.

Ele tem um relógio mágico, o Omnitrix, que o transforma em poderosos alienígenas!

Neste espectáculo o público será catapultado e envolvido num show cheio de emoções e adrenalina, com direito a efeitos especiais, acrobacias, musicas e batalhas electrizantes.

Este espectáculo fantástico chega no dia 30 de Outubro ao Pavilhão Atlântico e no dia 1 de Novembro no coliseu do Porto.

Nesta nova aventura Ben, Gwen, o avô Max e Kevin terão que enfrentar os seus terríveis inimigos - Vilgax e Eon - e defender a Terra dos seus planos malignos. Durante o espectáculo, vais ter que ajudar o Ben e os seus amigos a derrotar os extra-terrestres com a tua força e criatividade! Na história, o avô Max desaparece, deixando cair acidentalmente um dispositivo desconhecido chamado “Chronologger”, uma espécie de máquina do tempo capaz de criar túneis temporais. O Chronologger servirá como isco utilizado por Vilgax e Eon para atraír Ben para a sua nave espacial e aproveitar finalmente os poderes incríveis do Omnitrix.

A única maneira de combater estas duas forças do mal é duplicar a potência do Omnitrix, que Ben poderá fazer com a ajuda do Chronologger. Mas a tarefa não será nada fácil. Vilgax e Eon vão preparar um plano diabólico para se tornarem os dominadores do universo, graças a uma máquina capaz de unir os poderes num novo extra-terrestre: VILLEON… É o momento da batalha final!

Fonte: http://sic.sapo.pt/kapa/novidades/ben10live.htm

Sorrisos Felizes...é necessário!


O panorama da saúde oral infantil no nosso país é tudo menos animador. De acordo com números da Sociedade ortuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD), cerca de 35 por cento das crianças até aos sete anos - observados no âmbito das campanhas de saúde oral - apresentam «cáries em actividade, dentes tratados e até dentes perdidos por doença cariosa.»

Estas notícias, que já não são optimistas, agravam-se na faixa etária dos oito aos 16 anos, com «47 por cento de cáries presentes na população rastreada», de acordo com o presidente da SPEMD, José Pedro Figueiredo, que lamenta a «falta de motivação, informação ou formação da população para a necessidade de hábitos de saúde oral e métodos de higiene oral adequados.»

Paula Faria Marques, regente da cadeira de Odontopediatria da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa (FMDL), concorda em absoluto com a última afirmação. Embora refira que a iniciativa da SPEMD não pode ser entendida como uma ilustração perfeita da realidade nacional, já que lhe falta «abrangência e metodologia científica», reconhece que os números obtidos «chamam a atenção para o que é importante e, aí, o Mês de Saúde Oral atinge os seus objectivos» de sensibilização e alerta.

CUIDADO É PRECISO

Pondo o problema em termos simples, parte significativa das crianças sofre de cáries porque os pais também apresentam este tipo de problemas e não têm por rotina preveni-los e tratá-los. À medida que as novas gerações possam vir a beneficiar de uma educação oral mais sólida, assim os seus filhos terão menos doenças, numa evolução que é, antes de mais, de mentalidades e, por isso, mesmo dilatada no tempo. Os portugueses têm todas as hipóteses de apresentarem sorrisos mais felizes. Mas é preciso que os procurem.

«Os problemas de saúde oral, em qualquer idade, têm uma origem muito diversa. Começam pelo aspecto genético e constitucional – há pessoas mais ou menos frágeis a nível dentário – e acabam nas questões infecciosas, passando pela alimentação e higiene», afirma Paula Faria Marques.

Se contra a genética pouco ou nada há a fazer, em contrapartida existem inúmeras estratégias que podem ser adoptadas em prol de uma boca saudável. A começar pelo equilíbrio biológico. «Logo após o nascimento, a cavidade oral da criança é colonizada por vários tipos de agentes, que compõem a chamada flora oral, com características que permanecem ao longo de toda a vida. Se os pais, outros familiares e cuidadores conseguirem que essa flora seja constituída pelo menor número possível de bactérias agressivas [ver caixa], esse é um bom caminho para começar a travar o aparecimento posterior de cáries», considera a professora universitária. Ou seja, quanto menos ‘caldo infeccioso’ existir à partida, menos hipótese têm as bactérias de decomporem os resíduos alimentares, transformando-os em ácidos que vão atacar o esmalte dos dentes, dando origem à cárie.

Reconhecer que grande parte do contágio pode ser evitado facilmente não é fácil para muitas famílias, ainda a braços com «um défice assinalável na educação e sensibilização para a saúde oral». Para Paula Faria Marques, embora «os padrões tenham vindo lentamente a melhorar», continua a persistir «uma distorção de valores por parte dos adultos, que remetem estas questões para um papel secundário», especialmente quando os filhos ainda não têm dentição ou apresentam ‘apenas’ os dentes de leite. Uma distorção que, como é visível no caso da Carolina, pode ser extensível aos profissionais de saúde.

DE LEITE, MAS IMPORTANTES

A primeira dentição, chamada «de leite» tem funções que vão muito para além da mastigação dos alimentos enquanto a criança não ganha os dentes definitivos. É por isso que descurar os cuidados nesta fase – esperando que os dentes sejam substituídos em vez de os tratar – pode ter consequências que se arrastam durante toda a vida.

«Imaginemos um diagnóstico em que uma criança possui um dente de leite com uma cárie e abcesso. Não me parece razoável admitir a persistência dessa infecção durante vários anos. Em primeiro lugar, porque mais tarde ou mais cedo a criança vai sofrer com dores e, em segundo lugar, porque esta situação dá lugar a uma disseminação contínua de pus para o resto do corpo, com natural enfraquecimento do organismo», considera Paula Faria Marques. «Se os pais se preocupam em curar uma ferida infectada em qualquer outro lugar, deveriam ter o mesmo cuidado em relação a uma infecção oral na criança. Basta pensar um pouco para perceber que os riscos são idênticos», adianta.

Orlando Monteiro, Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, coloca a tónica noutros aspectos. «Uma criança pequena que sofra de cáries nos dentes de leite vai, muito provavelmente, ter dificuldades na mastigação, podendo perder peso de forma significativa, e, se já frequentar a escola, pode apresentar também um elevado absentismo e dificuldades de rendimento», observa.

Paula Faria Marques observa regularmente situações em que a degradação da dentição de leite é tão grave que dá lugar ao desaparecimento total da coroa e o único vestígio de que naquele local da gengiva esteve implantado um dente são as raízes. Se esta situação não traz desconforto de maior à criança vai comprometer o futuro da sua boca. Isto porque outra função essencial dos dentes de leite é a de abrirem caminho aos dentes definitivos e encaminharem a sua erupção, por volta dos seis anos. Ora, se na boca existirem ‘espaços em branco’ o posicionamento da segunda dentição será viciado, já que os dentes definitivos não seguem uma linha de implantação que permita mastigar de forma normal, a língua e as gengivas podem ser afectadas e até, nos casos mais graves, há lugar a dificuldades na fala.

MAIS ESCOVA, MENOS DOCES

Para que as crianças apenas visitem o dentista a fim de confirmar que a boca continua saudável, existe uma equação que permanece fundamental: mais escova e menos alimentos doces. Todos os alimentos que ingerimos têm um potencial cariogénico, ou seja, podem abrir caminho ao aparecimento de cáries. Mas esse potencial é muito maior no caso dos doces, dado que a sua metabolização na boca dá origem a ácidos mais difíceis de neutralizar. A situação fica ainda pior se houver uma ingestão continuada de açúcar durante largos períodos de tempo. «Quando os alimentos entram na boca, dá-se um abaixamento do nível de pH, que antes estava neutro e passa a estar ácido. Através da escovagem, ingestão de água, movimentos de auto-limpeza das bochechas e língua e acção da saliva, o pH neutro acaba por ser reposto. No entanto, se se volta a ingerir algo antes dessa reposição, o pH oral mantém-se ácido por muito tempo, o que facilita a acção das bactérias causadoras da cárie», explica Paula Faria Marques. Assim, é muito mais perigoso para o sorriso petiscar guloseimas e ‘snacks’ de hora a hora do que devorar uma tablete inteirinha de chocolate de uma só vez…

António Vasconcelos Tavares, director da FMDL e pró-reitor da Universidade de Lisboa, adianta que o consumo excessivo de doces deveria fazer disparar os sinais de alarme não só nos campos da saúde oral e da obesidade, «os mais falados», como também no campo das patologias do foro diabético, consideradas como um dos grandes problemas de saúde pública das próximas décadas. «Provocando ‘disparos’ no níveis de glicemia do organismo, chega a um ponto em que o pâncreas deixa de conseguir responder com a quantidade de insulina necessária ao processamento desse açúcar no sangue», recorda.

Um bom princípio para que os doces não se transformem num grande pomo de discórdia entre pais e filhos é introduzi-los na dieta infantil o mais tarde possível recorrendo, porém, ao bom senso e não entrando em extremismos que podem vir a revelar-se contraproducentes. «Chega uma altura em que cortar o açúcar é socialmente muito complicado: em todas as festas infantis a ‘tentação’ está presente e que de que nos serve uma criança com dentes óptimos mas que fica completamente infeliz porque vê os amigos a deliciarem-se com guloseimas quando ela está impedida de o fazer?», questiona a Paula Faria Marques. O segredo é «não facilitar o acesso à partida. Nenhuma criança até aos dois ou três anos procurará ingerir alimentos doces se tal não lhe for oferecido. Terá muito tempo de os provar e, até lá, existe tempo suficiente para iniciar bons hábitos alimentares e de higiene oral.»

O melhor mesmo, nunca é demais repeti-lo, é pegar na escova e na pasta sempre que necessário. «Se a criança tiver horários regulares de alimentação é relativamente fácil introduzir a escovagem dos dentes como uma rotina que pertence às refeições», diz a docente universitária, reconhecendo o «papel importante» que os jardins-de-infância e as escolas podem desempenhar em todo este processo. Tanto na sensibilização como na aplicação dos princípios.
Numa primeira fase da limpeza dos dentes, a acção dos adultos é fundamental, para garantir que a remoção da placa bacteriana é feita com eficácia em toda a dentição e não apenas nos dentes que ficam visíveis quando se sorri… Mas tal não significa que a criança, por pequena que seja, não possa ser incentivada nas suas tentativas de manuseamento da escova: «Como em tudo, ao brincar durante a lavagem dos dentes, ela está a aprender como se faz. E as práticas aprendidas de uma forma lúdica criam raízes mais sólidas do que as que são apresentadas de uma forma mais ou menos imposta», conclui Paula Faria Marques.

de pequenino se limpa o dentinho

Uma boca sã é ‘construída’ antes do aparecimento dos dentes. Tudo começa pela saúde oral da mãe, já que quanto melhor esta for mais hipóteses a criança tem de não ser contaminada por bactérias excessivamente patogénicas. Para além disso, existe muito a fazer:

. A higienização da cavidade oral pode ter início desde o nascimento. Pelo menos uma vez por dia deve ser passado um dedo, com uma gaze ou um paninho turco embebidos em água fervida, nas gengivas, bochechas e parte de cima da língua do bebé, de forma a remover a película bacteriana e os resíduos alimentares;

. No cuidado diário existem atitudes que devem ser evitadas. Não introduzir nunca a chucha em bocas alheias, não provar a comida com a mesma colher que vai servir para alimentar o bebé ou não beber pelo mesmo copo são apenas alguns exemplos;

. Habituar a criança à escovagem diária, logo que surge o primeiro dente. Numa fase inicial a pasta é dispensável, mas torna-se um bom aliado a partir dos dois anos. Mas nunca devem ser utilizadas substâncias destinadas a adultos nem fio dental nos dentes de leite;

. A criança deve ser observada pelo médico durante o primeiro ano, de forma a iniciar um projecto individual de saúde oral;

. Durante o período dos dentes de leite, e salvo o aparecimento de qualquer problema, a criança deve ir ao dentista uma vez por ano. A partir do momento em que surgem os dentes definitivos, as idas ao dentista deverão passar a semestrais.

Fonte:http://www.paisefilhos.pt/index.php/criancas/dos-3-aos-5-anos-menu-criancas-63/2572-sorrisos-felizes

sábado, 2 de outubro de 2010

Sabias que...


Hiperactividade tem origem genética

Tenho uns quantos amigos no infantário que não param quietos nem por um segundo. Correm, saltam, pulam, brincam, portam-se mal, têm genica para dar e vender e provavelmente quando chegam a casa ainda dão água pela barba aos pais.

A perturbação de hiperactividade com déficede atenção (PHDA) pode ter origem genética, revela um estudo publicado no jornal The Lancet.


Pela primeira vez, os cientistas da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, conseguiram relacionar a doença com a falta de um determinado par de genes. Essa ausência foi verificada em quatro de cinco crianças com PHDA.

Com esta descoberta, os investigadores esperam acabar com o estigma que envolve a doença, uma vez que é quase sempre relacionada a mau comportamento por excesso de permissividade dos pais.

«Agora podemos dizer com certeza que a PHDA é uma doença genética e que os cérebros das crianças com esta doença desenvolvem-se de forma diferente das outras», disse Anita Thapar, uma das autoras do estudo, acrescentado que as estruturas do cérebro destas crianças apresentam algumas semelhanças às das crianças com autismo ou esquizofrenia.

Já se sabia que a PHDA tinha tendência a ser hereditária, mas esta é a primeira vez que se mostra que o problema pode mesmo estar no património genético.

Fonte: http://www.paisefilhos.pt/index.php/component/content/article/39-manchete/2797-hiperactividade-tem-origem-genetica

Gnome and Juliet!


Esta semana o filme de animação aconselhado é um desenho animado que vai trazer muitas gargalhadas e...romance! Ou não fosse uma animação produzida pelos criadores de Shrek, agora na Disney e baseada no lendário romance de Shakspeare. A não perder

A Disney já divulgou as imagens do seu novo filme de animação 'Gnomeo and Juliet'.

O filme, com a assinatura de Kelly Asbury , que dirigiu também os nomeados para o Óscar 'Shrek 2' e 'Spirit - Espírito Selvagem', baseia-se na história de 'Romeu e Julieta', de William Shakespeare. Só que, neste caso, as personagens são gnomos e a sua história de amor complica-se por serem de jardins rivais.

As vozes das personagens principais estão a cargo, na versão original, dos atores James McAvoy e Emily Blunt. No resto do elenco podemos encontrar ainda as vozes de Michael Caine, Jason Statham, Patrick Stewart e Ozzy Osbourne.

Banda sonora a cargo de Elton John

A banda sonora fica à responsabilidade do cantor britânico Elton John, que volta a colaborar com a Disney, tal como fez em 1994 com o filme 'O Rei Leão'.

Prevê-se a chegada de 'Gnomeo and Juliet' às salas de cinema dos Estados Unidos em Fevereiro de 2011.

Fonte: http://aeiou.expresso.pt/gnomeo-and-juliet-e-o-novo-filme-da-disney=f605492


Os Flinstones fazem 50 anos!


O meu projecto de PAP é ligado ao cinema infantil. Pois aqui está uma animação que é intemporal e comemorou esta semana 50 anos de idade. Os Flinstones estão de parabens e o Blog de apoio à infancia comemora o seu aniversario em grande com algumas recordações.

I Yabba Dabba-Do!, quem não se lembra deste grito? Os Flintstones comemoraram no dia 30 de Setembro os seus 50 anos de vida.

Criado nos estúdios Hanna-Barbera, os Flintstones foram para o ar pela primeira vez no dia 30 de Setembro de 1960 no canal ABC.

A série contou com 166 capítulos e teve o último episódio exibido no dia 1 de Abril de 1966.

O sucesso da série foi tão grande que acabou por ser transmitida em horário nobre!

Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas em 80 países assistiram às aventuras de Fred, Barney, Vilma e Betty.

Fonte: http://www.destak.pt/artigo/76457-os-flintstones-fazem-50-anos




sábado, 25 de setembro de 2010

A dobragem Infantil



Uma das minhas actividades de PAP, passará por levar à escola um actor de dobragens infantis. Pois bem vamos ver o estado das dobragens infantis em Portugal:

A Walt Disney foi pioneira das dobragens de filmes de animação em termos mundiais. Em Portugal, a primeira longa-metragem a ser dobrada foi o “Rei Leão”.

Em 1994 a Disney começou a apostar em Portugal, onde não existia uma classe de dobradores e as dobragens eram consideradas um ramo da profissão de actor. “Só há muito poucos anos é que começamos a produzir em português e para Portugal”, salienta Pedro Boucherie Mendes, director de canais temáticos da SIC.

Carlos Freixo, director de várias dobragens desenvolvidas pelo estúdio da Matinha, esteve presente na altura em que foi feita a dobragem do “Rei Leão”. Freixo foi uma das vozes do filme, a do próprio Simba e lembra o momento em que o estúdio foi contactado pela Disney para realizar esta primeira grande dobragem: “Era uma aposta arriscada, uma espécie de tudo ou nada. Se não resultasse voltar-se-ia às dobragens brasileiras. Por isso foi posto todo o cuidado na escolha do elenco para o casting.”

A aposta foi ganha. A versão portuguesa foi considerada a segunda melhor a nível mundial. “Não mais voltámos ao português do Brasil”, afirma Carlos Freixo e acrescenta: “Tornou-se impensável lançar um filme de animação que não fosse dobrado em português de Portugal”.

Depois da primeira experiência os passos seguintes foram dados de forma natural, seguiram-se grandes estúdios como a Warner, Dreamworks, Fox. A partir desde momento começaram a aparecer mais estúdios e empresas de dobragem em Portugal. O director do estúdio On Air, Raul Barbosa, explica que “há uma necessidade do mercado em dobrar os filmes. Os filmes chegam na língua original e é preciso passá-los para língua portuguesa”. No entanto, para este director, em Portugal não existe indústria. “Qualquer empresa que queira dobrar tem de lidar muito bem com este universo porque tem muito menos produção do que a que há lá fora”, sendo que há quatro grandes países dobradores no mundo: Espanha, França, Alemanha e Itália. “Eles dobram tudo, todos os filmes, documentários, por isso têm uma indústria. Em Portugal dobramos mais animação. Temos de saber ser bons, para conseguir ter trabalho”, refere Raul Barbosa.

Porém, Isabel Monteiro, responsável da empresa Dialectus, considera que a área da dobragem “é uma área com alguma complexidade, num mercado tradicionalmente pautado pela legendagem dos programas, a dobragem foi crescendo e está, actualmente, em franca expansão”. Mas, “o produto dobrado é cerca de 5,6 vezes mais caro do que um produto legendado”, esclarece.

Um raio-x às dobragens

Engane-se quem pensa que dobrar um filme é um processo fácil, ou que implica só colocar a voz do actor num personagem animado. “A técnica de dobragem é muito específica. O actor tem de ser capaz de representar muito rapidamente, enquanto ouve a versão original nos auscultadores, guiando-se por ela mas sem copiar as suas inflexões”, esclarece Carlos Freixo.

A dobragem passa por várias fases, desde a escolha do elenco, o estudo do guião e a gravação, que podem demorar, ao todo, entre três e quatro meses.

Na fase dos testes de voz, ou seja, da escolha de actores e cantores para o filme, o trabalho é feito em conjunto com os directores de dobragem, para os diálogos ou directores vocais, para as canções. O objectivo é tentar encontrar alguém com uma voz semelhante à do actor que fez a versão original do filme. O actor pode ser também o cantor ou não. Por vezes a parecença até deixa de ser importante. A este propósito Raul Barbosa fala da sua experiência no filme “Shrek”. “Na versão original do Shrek a voz do burro é feita pelo Eddie Murphy e em Portugal é o Rui Paulo. A Dreamworks disse para nós tentarmos encontrar um actor que tivesse uma capacidade enorme de ser como o Eddie Murphy é no filme”.

Esta fase não é rápida, pois há um trabalho desenvolvido em conjunto, isto é, o estúdio com o director musical e o director de dobragens, de diálogos, até ao casting ser aprovado. Carlos Freixo explica o trabalho de director de dobragem, ou melhor, de coordenador do filme, que começa “na adaptação do texto para que encaixe nas bocas”. “O director tem de levar o actor a representar em sincronismo, ou seja, representar a personagem no tempo da frase”. Para além disso, “como, hoje em dia, cada actor grava sozinho no estúdio tem igualmente de ser conduzido a contracenar com um colega inexistente”, salienta Carlos.Depois das vozes escolhidas é altura de tratar do guião, que chega aos estúdios de dobragem em versões muito codificadas. “É feita a tradução dos diálogos e tradução lírica, caso haja canções”, diz Raul Barbosa. E explica: “Durante essa fase há várias conversações com os criativos responsáveis pela versão original para ver o nosso estúdio percebeu a piada, as notas criativas que vinham, o que é que fizemos, por onde é que fomos em termos de adaptação, para eles concordarem ou não”.

Realizado este trabalho, está tudo a postos para a gravação, que é idêntica a qualquer filmagem, tentando-se levar o menor tempo possível, uma vez que são cada vez mais os meios tecnológicos. “Antigamente gravava num mês, hoje em dia consegue-se gravar em duas semanas, desde que tenha o casting todo presente”, revela Barbosa.

O estado actual das dobragens

Para Isabel Monteiro, as dobragens são fulcrais por tornarem um determinado “programa acessível a todos” e darem a “oportunidade aos profissionais portugueses de mostrarem a qualidade do seu trabalho”. Os estúdios de som tentam agora explorar outras áreas, consideradas importantes. “Só das dobragens não conseguiríamos sobreviver. Nunca há muitos filmes de animação, mesmo que dobremos 20 filmes por ano dá aproximadamente um por mês”, Raul Barbosa. Por isso, é preciso “recorrer a outras áreas que têm a ver com a tecnologia de áudio, outros serviços na área audio-visual”, explica.

Para além das dobragens, a Dialectus faz locuções para publicidade e locuções institucionais para empresas. “Em Portugal o mercado está em franca mudança e crescimento”, afirma.

No entanto, para Pedro Boucherie Mendes hoje ainda não existe “uma indústria áudio-visual decente que possa produzir conteúdos de forma sistemática e com capacidade de a exportar, onde seria, naturalmente, dobrada. Não exportamos”. O director de canais temáticos da SIC - que apresenta agora um novo projecto, o canal SIC K, especialmente dedicado ao público mais jovem – questiona: “Como é possível que os canais de serviço público não tenham apostado em dobragens desde o 25 de Abril?”.




Fonte: http://www.publico.clix.pt/Cultura/a-realidade-das-dobragens-em-portugal_1412451

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ir para o Infantário!

Depois da primeira semana de estágio, foi possível ver muitas crianças a chorarem pelas mamãs e pelos papás. Para o primeiro dia até doi na alma ver aquelas lágrimas a cairem pelo rosto, contudo e como estudante desta profissão percebo que é normal e que os primeiros dias custam sempre. Mas estamos lá para vos ajudar.

Ir para o infantário

Lembre-se que o seu filho precisa de algum tempo para se ambientar e que você pode ajudá-lo.



Alguns pais, por força das circunstâncias, colocam os filhos no infantário logo aos 3 meses de idade. Outros optam por deixá-los à guarda de uma ama ou dos avós durante os primeiros anos de vida.

Certo é que, mais hoje, mais amanhã, acaba por chegar o dia em que ingressam no infantário, e isto produz um misto de satisfação, orgulho mas também de nostalgia. Afinal de contas quer dizer que o seu bebé já está um pouco mais crescidinho...

A fase de adaptação

Em regra, os primeiros dias são complicados. Quando mais novinha for a criança, mais fácil e rápida será a adaptação mas nos casos em que vão para o infantário aos 3-4 anos, é de esperar alguma reacção negativa.

Uns adaptam-se melhor que outros e tudo está intimamente ligado à empatia que se gera com a Educadora.

Temos de ter em conta que a entrada para o infantário produz alterações profundas no mundo da criança. Até esta idade, os pais foram o pilar de todo o desenvolvimento. Foram eles que a ensinaram a comer, a vestir-se, a lavar-se e a conviver com os outros.

No fundo, mesmo sem se aperceberem, transmitiram-lhe a maior parte das regras fundamentais para que pudesse viver em sociedade. Com a ida para o infantário, chega a altura de colocar muitas destas aquisições em prática.

Uma criança que já adquiriu alguma autonomia, decerto irá adaptar-se mais facilmente. As regras podem ser um pouco diferentes, mas não deixam de ser regras, e se está à partida habituada a cumpri-las não irá estranhar. Ainda assim, alguma preparação poderá haver, como por exemplo ir lá um tempo antes para que ela possa conhecer o espaço e a educadora.

Por fim o GRANDE dia!

A criança pode experimentar sentimentos de profundo abandono e até de solidão quando é deixada no infantário, uma vez que não pode contar com a presença do pai, da mãe, da ama ou dos avós.

Em contrapartida passa a estar integrada num grupo de crianças completamente desconhecidas que se podem mostrar hostis nos primeiros dias.

Temos de ter em conta que existem sempre algumas que já se conhecem de outros anos, uma vez que ingressaram no infantário muito mais cedo e já têm o seu grupinho formado.

Algumas vezes acontecem agressões, mordidelas, puxões de cabelo ... mas tudo isso é perfeitamente natural, portanto não se assuste nem coloque a hipótese de o retirar do infantário.

No geral, as amizades infantis trilham caminhos completamente distintos das amizades adultas. De inicio é natural que se agridam fisicamente mas em breve irão transformar-se em amigos inseparáveis.

Para além disso, a educadora não pode dispensar-lhe todas as atenções uma vez que tem vários meninos a seu cargo. Adaptar-se a tantas mudanças ao mesmo tempo é muito dificil. Por tudo isso, não é de estranhar que fique a chorar, mas isso acaba por ser ultrapassado.

Não quero ir !

Algumas crianças recusam-se terminantemente a ficar. Choram, gritam, dão pontapés e torna-se impossível demovê-las. Quando deixados à força, muitas vezes a educadora telefona para que os vão buscar.

Se este comportamento se mantiver por muito tempo. é importante tentar perceber qual a razão que está por detrás. A insegurança poderá ser um motivo, e frequentemente intensifica-se quando os pais optam por os deixar e saírem apressadamente, sem dar tempo para alguma habituação. Há que ter alguma paciência e sobretudo muita disponibilidade (guarde alguns dias das suas férias para esta altura).

Ir lá frequentemente, acompanhá-lo na adaptação é a única maneira de resolver o problema. Ao mesmo tempo, há que estabelecer uma relação com a educadora, para que o seu filho sinta que ela é uma pessoa que também o pode ajudar e não a encarar como uma estranha.

Não se atrase a ir buscá-lo !

Devido às actividades profissionais, muitos pais acabam por deixar os filhos até muito tarde no infantário. É vê-los sozinhos num canto, a inventarem brincadeiras ou a chorarem ao colo de uma contínua.

É certo que, por vezes se torna impossível evitar estas situações. Uma reunião de última hora, um transporte que se perdeu, o trânsito que estava um caos, mas existem sempre alternativas.

Uma vizinha simpática, um primo mais velho, os avós… alguém que se possa recrutar à pressa e que evite este sofrimento à criança. É que sentir-se abandonado, esquecido, pelos pais, é algo extremamente traumatizante e que provoca um sentimento de extrema solidão e desamparo.

Transmita-lhe segurança!

Todas as manhãs, quando o for levar, crie um ambiente alegre e descontraído (cantem em conjunto, ou conte-lhe uma história cujo tema seja o de um menino que não queria ir para a escolinha mas que depois arranjou muitos amiguinhos e adorou a experiência ...)

Diga-lhe o que vai ser o seu dia e dê-lhe uma referência clara, para que ele consiga situar o momento em que o irá buscar (por exemplo, depois do lanche )

Se ele possuir algum boneco de estimação, pergunte à educadora se não é possível deixar-se acompanhar por ele, deste modo sentir-se-á mais acompanhado.

Festeje o primeiro dia em que ele fique pacificamente (sem chorar nem fazer qualquer tipo de birra). Telefone aos avós a contar a novidade, leve-o a comer o doce preferido, dê-lhe muitos beijinhos...

domingo, 6 de junho de 2010

História do Dia Mundial da Criança


“O mano está a chegar! E agora?”
O nascimento de um irmão é um acontecimento de vida bastante importante, sendo um marco na vida de qualquer criança.

Assiste-se a uma alteração da estrutura familiar, de algumas rotinas e a criança tem de aprender a partilhar o que de mais valioso tem na sua vida, o amor dos pais.

Mesmo a criança que deseja intensamente ter um irmão, sente-se de certa forma ameaçada com a sua chegada. Surge então uma variedade de sentimentos positivos e negativos, que são bastante difíceis de gerir por uma criança desta idade. Como pais e educadores, é nosso dever dar-lhes uma ajudinha…

A preparação para a chegada do novo membro da família é de extrema importância. Com ela, conseguimos trabalhar inseguranças e medos, obtendo uma adaptação gradual e saudável à nova realidade familiar.

É importante:

- Falar com a criança acerca das suas expectativas sobre o irmão que está para vir, acalmando as suas inseguranças e reforçando o seu amor incondicional por ela, focando também os aspectos positivos de ter um irmão mais novo (por exemplo: ter companhia, ter alguém com quem brincar). Tenha o cuidado de não dar um lugar de demasiado destaque ao bebé que está para vir, de forma a que a criança não se sinta inferiorizada. Afinal, ele é o irmão mais velho e vai ser ele o “líder da fratria”.

- Torná-la no seu aliado da preparação para chegada do bebé, assim, a criança poderá também ter um papel na escolha da roupa do bebé, dos brinquedos, do quarto e até mesmo do nome, o que além de fortalecer o relacionamento com os pais, fará com que se sinta muito importante e especial, e as pessoas importantes e especiais jamais serão substituídas!

- A sensibilização da criança para os cuidados que o mano exige, uma vez que a ajudará na compreensão e aceitação de que os pais terão que dispensar algum tempo e atenção ao bebé, enquanto o alimentam, trocam a fralda, etc. Uma boa maneira de sensibilizar a criança é falar-lhe de quando ela era bebé e de todos os cuidados que os pais tinham consigo, da mesma forma que terão de ter com o bebé que está a caminho.

Ciúmes? Claro que sim!
O bebé já nasceu e agora que a criança tomou contacto com o seu possível “rival de afecto e atenção”, sente que alguém lhe roubou aquele lugar especial no coração dos pais… Surge então o ciúme e a hostilidade para com o irmão.

A melhor ferramenta que os pais têm para lidar com esta situação incómoda e causadora de stress familiar é a descontracção e a compreensão.

É compreensível que uma criança habituada a receber toda a atenção e amor só para ela se sinta revoltada quando tem que partilhar o seu maior tesouro.

Há que lhe mostrar que o amor que os pais sentiam por ela não diminuiu aquando do nascimento do mano e ela terá sempre o seu lugar assegurado no coração dos pais.

Para a criança é também difícil gerir os sentimentos negativos relativamente ao irmão, até porque são por um lado geradores de culpa e por outro, geradores de medo, de que os pais deixem definitivamente de gostar dela por manifestar tais sentimentos.

É assim, muito importante para a criança sentir-se incondicionalmente amada e verdadeiramente compreendida.

Regressão ou chamada de atenção?
Com a chegada do irmão, muitas crianças regridem, procurando instintivamente recuperar a atenção dos pais, numa “competição” inconsciente com o bebé.

Esta regressão pode manifestar-se de diversas formas: voltar a falar à bebé, não querer comer sozinha, pedir a chucha, o biberão, ter enurese nocturna, querer dormir na cama dos pais, ter um sono e humor instável e até mesmo manifestar algumas somatizações como dores de cabeça e de barriga. Esta regressão deve ser encarada como uma forma de tentar chamar a si, novamente, a atenção e o amor dos pais.

Uma vez que os pais percebam esse apelo da criança, o aceitem e lhe mostrem que ela será sempre especial e continuará sempre a ser amada, os sintomas tendem a desaparecer de forma natural.

É um erro considerar a regressão como uma forma de birra, capricho ou descuido na educação e tentar combatê-la com proibições e rigidez.

Não permitir que a criança faça esta regressão temporária é um erro, na medida em que ela precisa de tempo para se reorganizar e alcançar a sua estabilidade emocional.

É importante referir que, caso a regressão se instale, deve recorrer a ajuda de profissionais da área da psicologia e pedopsiquiatria.

Sugestões para que o seu filha receba o irmão de braços abertos

☺ Não à invasão! A fim de não deixar que a criança sinta o seu território invadido, pode-lhe sugerir que seja ela a apresentar a casa ao mano quando ele chegar a casa. Será a confirmação do seu título de “líder da fratria” e a derradeira auto-afirmação em relação ao recém-chegado.

☺ Não à substituição! É desejável que se evitem mudanças na rotina da criança, como a entrada para a escola, mudança de quarto ou ida para a casa dos avós, pois nesta fase ela precisa de segurança e estabilidade. Mesmo que as mudanças sejam coincidências, a criança não as entenderá como tal, serão sentidas como uma nítida substituição e abandono.

☺ Super aliado! Tornar a criança no seu aliado em cuidar do bebé é algo que a fará sentir-se responsável, útil e feliz, à medida que fortalece o laço afectivo entre os irmãos. À sua maneira, a criança poderá dar o seu contributo nas várias situações de cuidados do bebé, ajudar na alimentação, no banho, a vestir, a trocar a fralda e sempre que possível poderá brincar com ele.

☺ Ele gosta de mim! Sempre que oportuno demonstre à criança que o bebé gosta dele, porque sorri quando está com ele ou porque o segue atentamente com o olhar. Isso criará uma empatia mútua entre os irmãos.

☺ Eu compreendo! Quando a criança se mostra desagradada com o facto do irmão chorar muito ou dar muito trabalho, é importante não desvalorizar o sentimento da criança ou pior, fazê-la sentir-se mal com esse sentimento. Mostre-lhe que a compreende, que às vezes é desagradável estar a ouvi-lo chorar e ter de estar sempre a cuidar dele. Ao se sentir ouvida e compreendida, a criança terá tendência a desvalorizar por si mesma esses aspectos “menos positivos” de ter um irmão bebé.

☺ Já sou crescido! As crianças adoram sentir que já são crescidas e se isso sai da boca do pai ou da mãe é motivo para um grande orgulho. Se o seu filho mostra maturidade (para a sua idade) em relação ao irmão, diga-lhe que está satisfeito com os seus comportamentos e atitudes. Ele vai ter vontade de fazer cada vez mais e melhor.

☺ Eu continuo a ser Eu! Ao continuar a fazer as actividades que ele tanto gosta, em conjunto com o seu filho, ele vai valorizar esse tempo privilegiado e sentir que não está a ser prejudicado pelo nascimento irmão mais novo. No Gymboree muitos pais, apesar do tempo ser mais reduzido, não deixam de fazer a sua aula com o filho mais velho, reservando aquele espaço e aquele tempo exclusivamente para ele. É o seu momento de “filho único”, com toda a atenção focalizada nele.

☺ Eu sou mesmo especial! Não basta dizer ao seu filho que ele é especial, deve mostrar-lhe o quão especial ele é, reservando tempo só para ele, brincadeiras, passeios, histórias, lanchinhos dedicados só a ele, tal como antigamente. Isso fará com que se sinta seguro e verdadeiramente especial.

O contributo do Gymboree
A pensar precisamente na união da família e no seu crescimento como um todo surge o Family Gymboree. Este programa junta os dois papás e os dois filhotes numa mesma aula!

Como conseguir uma aula em que cada um deles se sinta especial e com um papel activo e único? Cada uma das crianças tem sempre a companhia ou do pai ou da mãe, para que nunca se sinta sozinho ou posto de parte em relação ao irmão.

O mais pequeno requer mais atenção e cuidado porque tem mais dificuldade em percorrer os equipamentos e é aí que o irmão mais velho tem um papel importantíssimo!

Sempre que quiser, pode ajudar o mano a fazer a actividade, explicar-lhe como se faz, exemplificar e até mesmo fazerem em conjunto.

O irmão mais velho assume a posição de modelo, o mais forte e o mais capaz, ao mesmo tempo que o mais pequenino também está na posição privilegiada, pois é cuidado pelo pai e pelo mano!

É uma óptima forma de fazer com que cada um se sinta especial!

DESTAQUES

Uma boa maneira de sensibilizar a criança é falar-lhe de quando ela era bebé e de todos os cuidados que os pais tinham consigo

O bebé já nasceu e agora que a criança tomou contacto com o seu possível “rival de afecto e atenção”, sente que alguém lhe roubou aquele lugar especial no coração dos pais…

Com a chegada do irmão, muitas crianças regridem, procurando instintivamente recuperar a atenção dos pais, numa “competição” inconsciente com o bebé

Fonte: http://familia.sapo.pt/crianca/emocoes/mae_ideal/1066037-2.html

domingo, 16 de maio de 2010

O Sono

A Hora do Sono

Dormir é algo que se pode ensinar, defendem os especialistas. Dá trabalho aos pais, desespera qualquer um, mas o resultado compensa. Os miúdos que dormem bem crescem mais saudáveis. São alunos mais atentos e, segundo estudos científicos recentes, mais bem-comportados e até menos obesos


O André não era muito diferente da maioria dos recém-nascidos: não gostava de dormir de noite, tinha cólicas e fome fora de horas e chorava muito. Mas demorou apenas três meses a adaptar-se e nem sequer se pode dizer que tenha sido um bebé difícil. Só nunca gostou muito de dormir. Cresceu e deixou de fazer a sesta cedo, tinha medo do escuro, pedia que ficassem com ele até adormecer e, de vez em quando, acordava e chamava ou acendia a luz.
«Até aos quatro anos, dormia a noite inteira. Depois, começou a acordar. Acendia a luz e voltava a adormecer, só vinha ter connosco se tinha um pesadelo», conta a mãe, Maria J. Os pais contavam-lhe uma história ou deixavam-lhe uma luz de presença e procuravam não valorizar a situação. Foi com a entrada para a escola que a preocupação aumentou. «A situação agravou-se. Começou a acordar mais vezes e a ter problemas de concentração», explica Maria J. O André não conseguia estar quieto ou terminar uma tarefa. Os médicos e um psicólogo asseguravam que não era hiperactivo, não tinha dificuldades de aprendizagem, via bem e apenas lhe descobriram um ligeiro problema de audição – tudo o resto ficava por explicar. «Não sabíamos bem a quem recorrer», confessa a mãe.

Maria J. descobriu num artigo de jornal o nome da neurologista especialista em questões do sono Teresa Paiva e decidiu-se a procurá-la. André, que tem já 12 anos, é agora seguido na Consulta do Sono do CADIN – Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil. Não tem problemas físicos – a hipótese foi afastada depois de alguns exames e da monitorização de uma noite de sono – e tem vindo a somar avanços desde que iniciou a psicoterapia.

«Melhorou muito a autoconfiança, já não evita a hora do deitar nem pede para ficarmos com ele e encontramos a luz do quarto acesa muito menos vezes», conta a mãe. Como resultado, a concentração melhorou e o comportamento também.

Dos zero em diante

A par com a psicoterapia, André iniciou um processo de mudança de hábitos. Já antes não via televisão antes de dormir e só jogava computador ao fim-de-semana. Agora, reduziu a luz no quarto ao mínimo, deixou de estudar ao serão e come menos à noite. «Ele jantava muito bem e isso era uma das coisas que podia estar a contribuir para os pesadelos», explica a mãe. Além da parte psicológica, O André trabalhou «a higiene do sono».

Os problemas de sono mostram-se muitas vezes logo nas primeiras semanas de vida. A maioria dos bebés «apresenta um padrão fetal de sono, com maiores tempos de vigília e de movimento no final do dia e início da noite», explica o pediatra Armando Fernandes. Mas é possível contrariar essa tendência. Como? «Estimulando o bebé durante o dia, quando está acordado (com luz, fala, sons, mexendo-lhe, etc...) de forma a dormir o mínimo de horas possível – e, pelo contrário, promovendo o silêncio absoluto e a escuridão completa durante a noite».

Carla Ribeiro, mãe da Margarida, de cinco anos, e do João e do Gonçalo, gémeos de 18 meses, habituou os três filhos a adormecerem sozinhos desde muito cedo. A menos que adormecessem a mamar, deitava-os sempre ainda de olhos abertos ou mais ou menos embalados. «Custa imenso. Sabe muito bem ter um bebé recém-nascido ao colo e pô-lo no berço é como estar a cortar um laço, mas é também dar-lhes autonomia», explica.
A norma deve ser deitar o bebé ainda acordado, concordam os especialistas. Sempre na sua cama – para evitar o chamado «sono fraccionado» que pode resultar do facto de acordarem num cenário diferente – e, a partir dos nove meses, no seu quarto. «Outrora recomendava-se a mudança entre os quatro e os seis meses (após o meio ano, a criança já não precisa de comer a meio da noite). Actualmente, alguns estudos revelaram que o lactentes que dormem no quarto dos pais até aos nove meses apresentam menor risco de síndroma de morte súbita», esclarece Armando Fernandes.

Os três irmãos dormem já no mesmo quarto e Carla teve que abdicar de algumas «boas práticas. Quando a Margarida chorava, acalmava-a sem a tirar da cama. Agora, se um chora, vou logo buscá-lo para não acordar os outros», explica, entre risos. Mas todos se deitam à mesma hora e Margarida continua a cumprir o ritual de deitar-se sozinha e ficar à espera do beijo e do aconchego dos pais, que saem antes de ela fechar os olhos. «Às vezes acende a luz. Sabe que pode “ler” um livro, se não conseguir dormir logo. Só não pode brincar nem jogar», explica a mãe.

Rotinas e rituais

Criar rotinas é indispensável para estabelecer padrões de sono saudáveis. É importante manter a hora de deitar e levantar e os especialistas aconselham rituais a anunciar o descanso da noite. Banho, vestir o pijama, lavar os dentes, contar uma história... a ordem deve manter-se e a última actividade deve acontecer já no quarto da criança. «A divisão não pode ser só o sítio de dormir ou estar de castigo», lembra a psicóloga Mafalda Leitão, que faz parte da equipa da Consulta do Sono do CADIN.
«O que sugiro aos pais é que incluam na rotina, após o jantar e da higiene, uns vinte ou 30 minutos com os filhos no quarto, fazerem uma brincadeira calma, cantarem uma música, contarem uma história, etc... », diz a especialista. Mas os rituais nunca devem ser suspensos como punição, diz Armando Fernandes. «Mesmo que tenha posto o seu filho de castigo, não o deixe adormecer com a noção que está zangado com ele», lembra aos pais. Ter uma fralda ou um boneco por companhia também é uma boa estratégia: o objecto está lá ao adormecer e ao acordar, e isso dá segurança aos mais novos.

Pesadelos, doenças... e dormir na cama dos pais

Quando um bebé chora durante a noite «não acenda a luz, não lhe pegue ao colo, murmure alguma coisa, acaricie-a e, se for o caso, troque a fralda e saia», recomenda Armando Fernandes. O choro poderá aumentar, mas o especialista aconselha a esperar cinco minutos para voltar a entrar no quarto, depois dez e por aí em diante, habituando-a a ficar sozinha. «Lembre-se que o choro prolongado, meia hora ou mais, não fará mal ao bebé, nem física nem psicologicamente», diz.

A opinião do especialista vai de encontro ao método defendido pelo pediatra e neurofisiólogo Eduard Estivill, muito apreciado por uns e criticado por outros pela extrema rigidez de procedimentos que defende . As ideias do especialista são polémicas entre alguns pais e mesmo entre alguns pediatras como o compatriota Carlos Gonzalez, que encara com naturalidade a possibilidade de a criança dormir com os pais (cosleeping). Investigador na área do sono, Estivill diz que 35 por cento das crianças tem dificuldades em dormir, mas lembra que só um por cento sofre de alguma patologia – as outras só precisam de ser ensinadas. E para conseguir dormir bem, segundo o especialista, é preciso aprender a adormecer sozinho, o que implica alguma disciplina da parte dos pais e nervos de aço para conseguir cumprir os tempos de choro aconselhados antes de voltar a entrar no quarto do filho. O medo do escuro a exigir uma luz de presença surge entre os dois e os cinco anos, idade em que podem ocorrer terrores nocturnos ou pesadelos. Os primeiros acontecem uma a quatro horas depois de adormecer. A criança nunca chega a acordar, mesmo quando se senta na cama, fala ou gesticula, e abraçá-la e sossegá-la é a melhor forma de lidar com o pânico – ela não se vai recordar de nada no dia seguinte. Os pesadelos, que acontecem já na segunda metade da noite (sono REM), colocam aos pais um desafio maior. A criança acorda e relata um sonho mau – lembra-se do pesadelo – e não raras vezes procura a cama dos pais.

Deixar a criança dormir no quarto dos progenitores é uma opção, que apesar de ser defendida por algumas correntes, continua a ser apontada aos pais e considerada pela maioria um «mau hábito». Os pesadelos ou uma doença abrem a porta e nem sempre é fácil voltar atrás. Até porque muitas vezes é a única solução. «Entre o querer comer e o acordar por acordar, a Alice acordava três a quatro vezes durante a noite. Passou a dormir na nossa cama, porque era a única forma de acalmar e nós tínhamos que trabalhar no dia seguinte....», confessa Rosa Paiva.

Mãe de uma bebé a quem foi diagnosticada doença celíaca aos nove meses, desdramatiza a situação. «Toda a gente tem uma opinião sobre o bebé “tão crescidinho” que ainda dorme com os pais, principalmente os amigos sem filhos (risos) .... Mas o pediatra sempre disse confiar no nosso bom-senso», desdramatiza. A filha mais nova, Marta, tem o sono tranquilo e dorme na cama dela. Alice saiu do quarto aos três anos «à boleia» de uma mudança de casa que possibilitou a mentalização entusiástica de saída para «o quarto novo». E o que é certo é que funcionou bem, o que cimenta a ideia de quem defende de que por mais rígido que se pretenda ser há sempre que ter em conta a família concreta, as crianças em apreço e o que funciona e mantém feliz uns não é igual ao da casa do lado.

«Muitos pais chegam à consulta muito envergonhados (por não conseguirem lidar com a situação e deixarem os filhos dormir na cama deles), cheios de olheiras e a sentirem-se completamente impotentes», conta Mafalda Leitão. As crianças hiperactivas sofrem com frequência de apneia do sono e há outros distúrbios de resolução complicada. «É fundamental fazer com que eles durmam bem de noite. Se numa primeira fase isso implicar a criança dormir com os pais, seja. E então depois, de uma forma gradual, trabalha-se a mudança. É possível, alterando pequenas coisas, fazendo pequenos ajustes na rotina da família, tornar o momento de deitar mais calmante e relaxante para todos», diz a psicóloga.

Yoga para dormir

No último ano, o mau dormir da Mafalda, que tem sete anos, tem vindo a dar lugar a um sono tranquilo. Já não tem medo do escuro, levanta-se e vai sozinha acender a luz, adormece sozinha e não acorda de madrugada. Foi sempre uma criança ansiosa, fechada, avessa a novos desafios, explica a mãe, Vanda Cardigos. A prática do yoga tornou-a mais calma e extrovertida. «O yoga proporciona um maior bem estar geral à criança, um melhor convívio consigo, especialmente nos momentos de mudança», explica Rosa Xufre, professora de yoga para crianças. «A criança que pratica yoga aceita melhor o silêncio, o encontro com a noite e com o momento em que deixa o quotidiano familiar para entrar no mundo do sono e do sonho, tão fundamentais a um crescimento pleno e saudável».

O que diz a Ciência

Crianças que dormem mal correm maior risco de obesidade Em 2006, investigadores de Bristol (Reino Unido) relacionaram a privação do sono com alterações de metabolismo que fazem aumentar o risco diabetes, doenças cardiovasculares e também a obesidade. Mais recentemente, um estudo da escola de Medicina de Harvard mostrou que os bebés que dormem menos de 12 horas são mais gordos na idade do pré-escolar. O pediatra Armando Fernandes constata essa realidade na prática clínica. Diz que o cansaço leva à falta de exercício e aponta responsabilidades a alguns factores hormonais. «É na fase NREM que ocorre o pico de produção da hormona do crescimento, aproximadamente meia hora pós uma pessoa dormir. Esta hormona ajuda a manter o tónus muscular, evita a acumulação de gordura, melhora o desempenho físico e combate a osteoporose. Quando dormimos pouco ou mal, a produção da hormona do crescimento é interrompida, sendo que a proporção de gordura no corpo aumenta face à proporção de músculo», explica. Além disso, acrescenta: «um sono inadequado também conduz à diminuição da leptina, hormona que regula o metabolismo dos hidratos de carbono». Baixos níveis de leptina levam o corpo a «pedir» continuamente hidratos de carbono. «Ao risco de obesidade junta-se então o risco de diabetes».

Dormir bem melhora o desempenho escolar As crianças que dormem menos de dez horas por noite na primeira infância têm mais probabilidade de terem problemas cognitivos e de comportamento quando entram para a escola, mesmo que normalizem os seus padrões de sono, concluiu um estudo canadiano. Na adolescência, segundo investigadores da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, os miúdos que dormem um sono profundo e sem interrupções tiram melhores notas nos testes, em áreas exactas como a Matemática.

A Perturbação da Hiperactividade ou Défice de Atenção (PHDA) é mais comum entre os miúdos que dormem mal A média foi calculada por cientistas da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, em Abril de 2008. Os miúdos em idade escolar que dormem menos de 7,7 horas têm maiores níveis de PHDA, maior impulsividade e pior comportamento. A agitação resultante da falta de sono é muitas vezes confundida com os sintomas de hiperactividade, alertam os especialistas.

Fonte: http://www.paisefilhos.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=2393:hora-do-sono&catid=39:manchete